segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PARVA QUE SOU

PARVA QUE SOU
Por Deolinda

Sou da geração sem
remuneração.
E não me incomoda esta
condição.
Que parva que eu sou.

Porque isto está mal e vai
continuar.
Já é uma sorte eu poder
estagiar.
Que parva que eu sou.

E fico a pensar:
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
é preciso estudar.

Sou da geração "casinha dos
pais".
Se já tenho tudo, p'ra quê
querer mais?
Que parva que eu sou.

Filhos, maridos, estou
sempre a adiar,
E ainda me falta o carro
pagar.
Que parva que eu sou.

E fico a pensar:
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.

Sou da geração "vou queixar-me
para quê?"
Há alguém bem pior do que
eu na TV.

Sou da geração "eu já não
posso mais!",
E esta situação dura há
tempo de mais,
E parva eu não sou!

E fico a pensar:
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.
(fim)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

PLANETA DOS MACACOS

 ... e esta hem!!!.. (como diria o saudoso...)

Jornal Público de 01.02.2011
P2 * O bisturi * Jorge Marmelo

Um mito grego antigo narrava, séculos antes de Noé ter construído uma arca, como Zeus fez desabar sobre o mundo um dilúvio destinado a castigar os homens pelas sua inclinações ímpias. Da chuvada só se salvaram Deucalião, o mais justo dos homens, e Pirra, a mais virtuosa das mulheres - a bordo, pasme-se, de uma caixa de madeira que conseguiu alcançar o cume do monte Parnaso, o único sítio da Terra que escapou à inundação.
A história, porém, não serve apenas para demonstrar a falta de criatividade das religiões posteriores, uma vez que fornece também uma explicação razoável para o carácter bruto dos homens do porvir. Finda a tempestade, Deucalião e Pirra foram, sozinhos no mundo, caminhando e lançando pedras para trás das costas. Das pedras que ele lançava sobre a terra húmida nasciam varões, e fêmeas dos calhaus que atirava ela. De acordo com esta interpretação do mito, somos todos calhaus com olhos - e pouco mais.
Simpatizo com a mitologia grega, mas tendo a emocionar-me mais com a histórias como a da coelha grávida que, a caminho do Porto Santo, em 1419, pariu e, como uma Eva felpuda e de orelhas cumpridas, deu origem a todos os coelhos que existem na ilha. O P2 contava-o ontem, mas eu tinha ouvido a fantástica narração na semana passada, pela viva voz do biólogo Nuno Ferrand de Almeida. e arrepiei-me com essa demonstração prática da evolução das espécies, como se estivesse diante de uma revelação. Infelizmente, sendo também pouco mais do que um calhau com olhos, ainda estou a tentar perceber aquilo que me foi revelado.
Embora filho de Deucalião, prefiro, pois, a versão segundo a qual o Homem e os outros animais resultam da evolução natural das espécies, tal como Charles Darwin a desvendou; que somos todos netos de um macaco que se pôs em pé, aprendeu a atravessar o polegar diante da palma da mão e entendeu, depois, que a cabeça podia servir para alguma coisa além da criação recreativa de piolhos. Encantou-me, por isso, a história de Ambam, uma gorila de dorso prateado do zoológico de Kent, em Inglaterra que caminha em pé ("como um homem"). Vêem-se as imagens disponíveis na Internet e parece mesmo que só lhe falta uma cartola no alto do cocuruto e um charuto na mão para poder ser confundido com um Homo sapiens (ou com um barão da indústria).
Parece que o pai de Ambam também é capaz de andar em pé, o que talvez signifique, no grande concerto da evolução das espécies, que estes gorilas se encontram num momento em que podem começar a parecer-se com os humanos comuns. Calhando, a ficção cinematográfica de o Planeta do Macacos não está muito longe de se concretizar e os nossos tetranetos poderão conviver, um dia, com símios inteligentes. Podemos, assim, esperar que esses futuros seres cheguem a ser tão bonitos e sensíveis como Ari protagonizada por Helen Bonham Carter, e tão pacíficos e fleumáticos como Ambam, o gorila de Kent.
Com sorte, os crioulos que resultem dos cruzamentos deles com os humanos ainda nos podem salvar das macacadas deste mundo.
(fim)
NOTA: Vejam o Ambam, neste link:
             http://www.youtube.com/watch?v=YXHQNKABKs8
             (mas no YouTube há mais...)

VENDE, MAS NÃO É SÉRIO

..para bom entendedor, meia palavra basta. ...

Jornal DESTAK de 27.01.2011
Editorial * Isabel Stilwell

Sinceramente, fiquei enjoada com o vídeo da entrevista  do Carlos Silvino. Não consegui sequer vê-la até ao fim: os tiques, os gestos perturbados, a teoria da conspiração do copo de água drogado, da medicação que leva a mentir, com um efeito tão poderoso que perdura três anos e obriga a vítima a assumir-se como gay e pedófilo, e até, imagine-se, a pedir desculpas em tribunal, tudo é confrangedor.
Como é confrangedor perceber que há quem use e abuse sem escrúpulos, do depoimento de alguém que é visivelmente perturbado, que a opinião pública e o tribunal "julgaram"  com alguma condescendência exactamente por isso. E que ninguém pareça perceber o que se passa, quando o entrevistador tem uma agenda pública e assumida de lutar pela inocência de Carlos Cruz, e não propriamente de investigar a verdade, essa sim, a missão de uma jornalista e o propósito de uma entrevista jornalística.
É claro que vende, é claro que é uma enorme tentação publicar e divulgar esta suposta pedrada no charco, que aparentemente põe em causa todo um julgamento. Mas não quer dizer que seja sério. Nem para ser levada a sério.
Acredito que toda a gente tem direito a lutar pela sua inocência, pelos meios legais, mas custa-me compreender que pessoas condenadas por um tribunal continuem a agir como se não o tivessem sido, e, com o "pretexto" dos recursos, continuem a dar grandes entrevistas e a dizer o que lhes vem à cabeça, podendo obviamente ser facilmente manipuladas. Condenado a dezoito anos de prisão, o que tem Carlos Silvino a perder com estes números de circo? Mas há quem tenha muito a ganhar de cada vez que a confusão se instala. e nem sequer custa a perceber quem são.
(fim)
NOTA: O bold é meu.

...AINDA AS ELEIÇÕES PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA...

Porque é preciso não esquecer....!

Jornal Público de 25.01.2011
Espaçopúblico * José Vítor Malheiros

Da alegria de ter Aníbal Cavaco Silva como Presidente da República Portuguesa
A grande festa da democracia

Agora, que já tudo acabou, é tempo de fazer o balanço. E é preciso sublinhar que o balanço não pode deixar de ser considerado positivo.
Como já é habitual, esta eleição, muito personalizada, contou com um escol de candidatos que, apesar das naturais diferenças ideológicas, de estilo e de percurso, possuíam em comum inegável leque de competências políticas e éticas. Todos ofereciam garantias de exercício de uma presidência empenhada no reforço da democracia e na redução das desigualdades, no desenvolvimento económico e no combate à corrupção. Foi reconfortante, mesmo antes das eleições, poder ter esta certeza de que, ganhasse quem ganhasse, o próximo mandato presidencial seria exercido de forma sensata e independente, seria um exemplo de um magistério equilibrado, de uma relação de lealdade e exigência com o governo e os partidos, de uma estimulante intermediação com a sociedade civil e de uma irrepreensível probidade republicana. mais do que isso, foi tranquilizador constatar que o candidato favorito era alvo, para além das normais críticas do combate político, de um indisfarçável respeito por parte dos seus adversários. Respeito pelo político, mas também pela pessoa. O seu brilhantismo intelectual, a sua lealdade na arena política, a sua visão estratégica, a sua integridade como cidadão foram referências sempre presentes ao longo da campanha e forneceram a todos os eleitores uma sólida confiança no futuro do país, apesar do quadro recessivo e da dificuldades que quase todos encaram.
A campanha constituiu um exemplo de envolvimento cívico e, se não permitiu um esclarecimento perfeito dos eleitores, pelo menos proporcionou interessantes debates sobre a actual situação política e as opções que se abrem aos portugueses. Particularmente importante foi a forma como cada candidato pôde explicar, sem demagogias nem azedume, de que forma iria utilizar a reduzida panóplia de instrumentos políticos do Presidente da República em prol do bem-estar dos portugueses. Surgiram neste debate pérolas de sabedoria e imaginação que são uma inspiração para todos os cidadãos e todos os candidatos.
Foi digna de nota a frontalidade e a disponibilidade com que o actual Presidente e candidato respondeu a todas as questões que surgiram na campanha, muitas das quais objectivamente incómodas e desagradáveis, a transparência com que facilitou toda a informação e satisfez todas as perguntas e, de uma forma geral, o seu empenho em não deixar qualquer dúvida nos espíritos dos eleitores. particularmente notável foi a sua declaração de que "ninguém está acima da lei: nem os candidatos, nem o Presidente" e o seu fair-play ao afirmar que "as campanhas servem precisamente para questionar os candidatos e para esclarecer as dúvidas que possam surgir no espírito dos cidadãos". Notável também a sua réplica "A imprensa? A imprensa faz o seu papel, que é fundamental numa democracia".
A eleição contou, como se esperava, com uma afluência recorde à urnas, que já se tornou habitual na grande festa da democracia.
Raras vezes se terá ouvido um discurso de vitória tão elegante com aquele que Cavaco Silva pronunciou na noite da eleições. O Presidente-em-exercício-e-Presidente-eleito minimizou qualquer acrimónia que pudesse ter emergido durante o confronto eleitoral, cumprimentou os seus adversários e afirmou-se como garante da unidade nacional, acima da trica politiqueira e empenhado numa profícua colaboração institucional entre todos os protagonistas políticos. Soube-se depois que o Presidente eleito conta reunir todos os candidatos num jantar, que oferecerá uma semana depois da sua tomada de posse. O gesto é inédito, mas não surpreende. Cavaco Silva é, acima de tudo, um gentleman.
Em tudo isto, há apenas um senão: o facto de esta ser a única frase verdadeira de todo este texto.
(fim)
NOTAs:
o bold é meu;
E no fim o que fica: a certeza que sonhar é bom, que a imaginação só faz bem à crise e ao mundo e que acreditar e defender certas utopias não faz mal a ninguém, antes pelo contrário....!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Opinião: O NÓ CEGO

* Jornal Público de 24.01.2011 * Opinião
O nó cego
Por António Barreto
(Sociólogo)

O Presidente eleito não vai ter surpresas. Já sabe que país tem e o estado em que se encontra. O Governo e os partidos também não. Sabem o que têm e o que fizeram. E sobretudo o que adiaram. Surpresas, a breve prazo, talvez as tenham os cidadãos.

O nó cego na vida política portuguesa e o impasse na actividade económica e na situação financeira exigem acção. Depois de cinco anos de adiamento e de agravamento, após quase dois anos de suspensão e azedume, já não é mais possível fazer de conta, protestar de modo impotente ou olhar para o lado. O que se segue a esta eleição de calendário não é previsível. Grande remodelação? Coligação tardia? Demissão do Governo? Dissolução do Parlamento? Iniciativa presidencial? Novas eleições? Novos pacotes de austeridade? Chegada do FMI e do Fundo Europeu? Nova intervenção política da Alemanha e da União Europeia? Tudo pode acontecer. Os dirigentes políticos nacionais já quase não são mestres da sua decisão. As grandes instituições nacionais parecem cercadas e incapazes. Tal como estiveram desde as últimas eleições legislativas, há quase ano e meio, à espera de umas presidenciais ineficazes.

Ignorância e covardia

A falta de previsibilidade é má conselheira. Pior: revela a miopia dos responsáveis políticos, reféns de interesses particulares e de instâncias internacionais. Tudo o que podia ter sido feito há anos (coligação de governo, aliança parlamentar, plano nacional, programa de emergência, recurso financeiro internacional, etc.) foi adiado de modo incompreensível, por causa da incompetência, da ignorância, da covardia e da cupidez dos agentes políticos. Tudo terá de ser feito em piores condições e em mais terríveis circunstâncias. Há três ou quatro décadas que a história do nosso país é uma frustre sucessão de adiamentos. O fim da guerra, a democracia, a liquidação das "conquistas" de 1975, a abertura da economia, a revisão da Constituição, a reforma da Administração Pública e da justiça: eis, por defeito, uma breve lista do que fizemos tarde e mal, quando podíamos ter feito cedo e bem.

No rescaldo das eleições presidenciais de 1996, detectavam-se facilmente os problemas políticos mais importantes para os quais uma resolução era necessária e um esforço urgente: a justiça e a corrupção. Nestes cinco anos, essas dificuldades agravaram-se. Justiça deficiente e corrupção alimentam-se reciprocamente e combinam à perfeição com um sistema de partidos e de governo que as tornou indispensáveis à sua manutenção. A Administração Pública submeteu-se ainda mais à voracidade partidária. Alguns interesses económicos, os que mais dependem do Estado e os que menos escrúpulos têm, souberam capturar as instituições públicas e a decisão governamental. Certos interesses profissionais e corporativos conseguiram também, por outras vias, fazer o Estado refém e organizar, a seu proveito, os grandes serviços públicos e sociais. Assim, o Estado perdeu a sua liberdade, a sua isenção e a sua capacidade técnica e científica. É o administrador dos interesses de algumas corporações e de alguns grupos económicos. Por esse serviço, o Estado cobra, para os partidos, uma gabela ou um tributo. A corrupção, em Portugal, não é apenas o pagamento ilegal feito para obter vantagens públicas. É um sistema, frequentemente legal, de cruzamento de interesses e favores, de benefícios e vantagens, ao qual ninguém, nos superiores órgãos de poder político, parece querer realmente colocar um travão. Fora dos órgãos de poder político, só a justiça poderia ser, em teoria, um freio e um antídoto a este sistema. Acontece que a justiça se transformou também em parte integrante deste sistema. A sua ineficácia ainda é o menor dos males. Bem pior, na verdade, são os protagonistas e os principais activistas do sistema judiciário (conselhos superiores e sindicatos) que pretendem agora, explicitamente, uma maior fatia dos proventos económicos e do poder político.

Democracia em perigo

O Governo, refém interna e externamente, administra a democracia como quem preside ao saque do Estado: na economia, satisfaz, para além das exigências do país, os interesses económicos; na sociedade, distribui, mesmo sem os recursos necessários, a protecção social. Enquanto houve crescimento económico, rendimentos e crédito externo, o Governo e os seus partidos alimentaram a democracia com aquela distribuição, compatibilizando assim as mais absurdas, socialistas e sectárias políticas sociais de saúde, educação e segurança social, com as mais predadoras e vorazes iniciativas capitalistas. Este mundo improvável acabou. Os recursos financeiros esgotaram. O crescimento económico estagnou. O crédito evaporou-se. Pela primeira vez, em trinta anos, a democracia portuguesa está em perigo, porque perdeu os seus instrumentos favoritos. A nossa democracia ligou-se perigosamente aos favores concedidos e à demagogia providencial. Sem esquecer o facto de que a confiança nas instituições políticas, públicas e judiciárias, essencial à liberdade, estiola.

O clima é mais importante do que o raio de sol ou o aguaceiro de passagem. Criar riqueza e favorecer o investimento é essencial, mas tal não se fará sem um novo enquadramento geral. Decretos e truques de cartola nada resolvem, sem a confiança dos cidadãos e dos agentes económicos. Sem certeza e estabilidade, as intenções e as oportunidades são miragens. Sem lealdade legislativa, ninguém, cidadãos ou empresas, pode planear as suas actividades. Uma boa estatística, que inebria os medíocres, será sempre contrariada pela seguinte, bem mais cruel.

Portugal parece não estar dotado das instituições políticas, dos órgãos de poder, de partidos políticos e de dirigentes à altura de resolver alguns dos problemas essenciais do presente. O processo político português está de tal modo feito que tudo contraria os esforços políticos para reordenar a vida pública e encarar de modo duradouro as necessidades de emergência. As soluções encontram-se na relação entre sociedade e responsáveis políticos, não mais em golpes de sorte partidários, em personalidades impolutas ou em arranjos de gabinete. Com perícia e responsabilidade, as soluções serão graduais e pacíficas, mas rápidas. Sem o que, bruscamente, nada de bom resultará. Impõe-se uma paz partidária, nem que seja apenas entre alguns partidos. E é necessária uma trégua social honesta e equilibrada. Sem abdicar da sua autonomia, patrões e sindicatos precisam de encontrar um ponto de entendimento sem intervenção dos partidos.

Portugal em 2016

As peripécias, os acidentes de percurso, o carácter de algumas individualidades, a futilidade de tantos comportamentos políticos e a inutilidade das declarações públicas continuarão a ilustrar o roteiro da nossa jornada futura. Mas é possível detectar, indelével, sob a espuma do efémero, o percurso principal.

Dentro de cinco ou dez anos, Portugal poderá ser governado de modo diferente. Com mais ou menos democracia. Em completa dependência do estrangeiro ou com uma relativa autonomia. Com graus de corrupção pelo menos controlados ou na submissão a uma partidocracia insaciável. Com novos partidos, novo sistema de governo e um regime diferente. O governo de maioria poderá ser a regra, mas a deriva minoritária poderá prosseguir. O regime parlamentar ou presidencial poderá substituir este arremedo que nos rege, fruto da invenção delirante de juristas medrosos e académicos sem visão da realidade. As eleições poderão ser nominais, mas a ditadura dos partidos poderá também manter-se no alheamento do soberano e dos direitos individuais. Os dilemas são estes. Inelutáveis. Mas as escolhas são nossas. Pelo menos em parte.


...AI a MATEMÁTICA ....


* Jornal Público / 24.01.2011 / na NET *

Fórmula matemática concebida por investigador da Universidade de Cardiff

Cientista estima que 24 de Janeiro é o dia mais deprimente do ano

Hoje, 4 de Janeiro, é o dia mais deprimente do ano, segundo uma fórmula matemática concebida por um cientista britânico da Universidade de Cardiff.

São bem variados os ingredientes para esta “receita” que afecta os “humores”, especialmente hoje.

O psicólogo Cliff Arnall chegou à sua conclusão em 2005 através da fórmula: 1/8C+(D-d) 3/8xTI MxNA. Segundo Arnall, “C” corresponde ao factor climático: em Janeiro, os dias são cinzentos e frios; “D” representa as dívidas adquiridas durante a época do Natal e que agora terão de ser pagas, uma vez que o pagamento dos cartões de crédito é feito no final do mês. Já o “d” em minúscula significa os custos monetários relativos ao mês de Janeiro e o “T” é o tempo que passou desde o Natal. A letra “I” representa o período desde a última tentativa falhada de abandonar um mau hábito: os bons propósitos feitos no início do ano – como as idas ao ginásio, deixar de fumar e comer melhor - começam a ficar para trás. Por fim, “M” são as motivações de cada um e “NA” a necessidade de fazer alguma coisa para mudar de vida.

Segundo Arnall, o dia mais feliz do ano é a 20 de Junho.

Ainda assim, este psicólogo disse ao jornal "The Telegraph" que encoraja as pessoas "a refutar todo o conceito de um dia mais deprimente do ano e a utilizá-lo como um momento para reflectir sobre as coisas que realmente importam nas suas vidas".

NÃO INVESTIR NA CULTURA É AGRAVAR A CRISE

Jornal Público
24.01.2011
EspaçoPúblico
José Jorge Letria
(Escritor, jornalista e presidente da Sociedade Portuguesa de Autores)

Portugal precisa de mais talento, mais criatividade e sonho e de muito menos rotundas e inaugurações "para retrato"

Erra clamorosamente quem teima em ver cultura como um mero adorno eleitoral, um capricho de elites ou um elemento de pouca relevância para o desenvolvimento do nosso país. O peso da economia da cultura nos PIB nacional e mundial ultrapassa, por exemplo, o da indústria do futebol. Por isso, a cultura exige um investimento estratégico e uma aposta programática, já que gera emprego, riqueza material e espiritual, receita fiscal, coesão nacional e prestígio internacional. Negar esta evidência é negar a própria realidade.
Nas últimas décadas, a cultura contribuiu decisivamente para a requalificação de cidades como Liverpool (a Tate Gallery, O Maritime Museum e o desenvolvimento cultural e turístico do conceito City of the Beatles) ou Bilbau (o Muaseu Guggenheim), que enfrentavam graves crises resultantes de modificações estruturais nos seus modelos de desenvolvimento. Equipamentos e circuitos culturais articulados com a oferta turística atraíram e fidelizaram públicos nacionais e estrangeiros e passaram a gerar receitas que fizeram progredir as comunidades locais e regionais.
Não basta programar eventos culturais. É preciso delinear e tornar sustentáveis verdadeiras políticas culturais que levem em conta múltiplos factores, desde logo de natureza sociológica. Infelizmente, Portugal não tem essa tradição.
A chamada "classe política", mesmo a que tem hábitos culturais, é, em regra, pouco culta, mesmo que leia livros, veja filmes e vá ao teatro e a concertos. Uma coisa é ter hábitos culturais e outra é perceber que a cultura pode e deve ser um elemento estruturante da vida de um país. E não vale a pena argumentar dizendo que existem outras necessidades que a crise torna prioritárias. Mesmo que tal perspectiva seja aceitável, isso não desculpabiliza os que negam à economia da cultura a importância  que de facto tem, designadamente para ajudar a superar crises de grande magnitude. tinha razão François Mitterrand quando, interrogado por jornalistas sobre o nome do ministro da Cultura do seu primeiro Governo, respondeu: "No meu governo todos são ministros da Cultura". Chegará o dia em que um primeiro-ministro português possa produzir semelhante afirmação?
Apoiar a cultura não é apenas conseguir, com esforço, mais umas "migalhas" no Orçamento do Estado ou mo das autarquias. É urgente que os decisores políticos de topo percebam que, sem autores e artistas, terão um país cada vez mais pobre, desestruturado, de cidadania débil e sem esperança no futuro.
O fracasso da política do betão, que marcou as décadas de oitenta e noventa do século XX em Portugal, veio demonstrar à sociedade que não existe progresso material sustentável se não for acompanhado pelo progresso moral e espiritual. Portugal precisa de um quadro legal que defenda, de facto, os direitos dos seu autores, precisa de mais orquestras e mais companhias de teatro espelhadas pelo país, precisa de mais respeito pelo seu magnífico património edificado. E preciosa, sobretudo, de meios para investir no que tem futuro, sem deixar que todos os meses emigrem para múltiplos destinos, dom regresso mais do que duvidoso, jovens artistas, autores e cientistas. Portugal precisa de mais talento, mais criatividade e mais sonho e de muito menos rotundas e de muito menos inaugurações "para retrato". Portugal precisa, afinal, de apostar naquilo que o honra e dignifica, por ser perene e enriquecedor da cidadania e da entidade colectiva.
Então e a crise, que é essencialmente económica, financeira e consequentemente social? É justamente por estarmos a vivê-la e a sofrê-la que se justificam posições como a que se assume neste texto, por que a cultura tem um reconhecido potencial que está por explorar de forma consistente e organizada. Além de ter respostas a dar no presente, ela é, essencialmente, uma garantia de futuro, principalmente se a associarmos a uma verdadeira política de defesa e promoção da nossa língua e se soubermos articular com a oferta turística e com uma dinâmica económica que envolva a exportação de bens culturais. A Presidente do Brasil, no discurso de tomada de posse, apontou o investimento na cultura e o apoio à exportação da música ede outras formas de expressão artística como uma das prioridades do seu Governo. será que o facto de termos uma língua comum não poderá contribuir para que essa mensagem chegue a Portugal e seja compreendida enquanto ainda é tempo?